#T001 - Novo Padrão de Reserva Técnica e Operacional
- matheusdealvarenga

- 27 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de dez. de 2025
Este artigo é o inicio de um trabalho para propor à ABNT NBR um novo padrão de reservas técnicas e operacionais que atenda às demandas das concessionárias de energia elétrica e dos provedores de internet, seja mais eficiente operacionalmente e tenha um custo de implantação e manutenção menor.

Definição do Problema
A norma "ABNT NBRA 15124 - Rede de distribuição de Energia Elétrica - Compartilhamento de infraestrutura com redes de telecomunicações" adotar como opção de instalação de reserva técnica e operacional, sem distinguir uma da outra, o equipamento passivo conhecido como Optiloop, ou raquetes (na linguagem comum), mostrado na figura abaixo.

Optiloop instalado no vão com auxílio da cordoalha de aço, reprodução da referência [1].
Esta configuração, embora seja ideal para a arquitetura ponto-a-ponto, bastante utilizada em backbones intermunicipais e interestaduais, não é adequada para redes de fibra óptica urbanas, que usualmente utilizam a arquitetura Fiber-to-the-Home (FTTh) com a tecnologia Gigabit Passive Optical Network (GPON) ou 10 Symetric Gigabit Passive Optical Network (XSGPON), nas quais uma fibra é multiplicada em 128 e 256 fibras no atendimento ao assinantes, respectivamente.
É operacionalmente inviável fazer aterramento elétrico de 9 e 17 reservas ópticas (e para cada provedor de internet), respectivamente para GPON e XSGPON. Além disso, a própria cordoalha elétrica tem se mostrada obsoleta, sendo substituída pela cordoalha dielétrica. Esta última, por mais que não precise de aterramento, também aumenta a quantidade de cabos no vão, causando poluição visual. Por fim, há a muita dificuldade para instalar essas reservas, as quais, na zona urbana, são constantemente desinstaladas e instaladas para manutenção da rede. As figuras abaixo mostram exemplos de reservas técnicas com problemas de instalação.

Por fim, este artigo pretende introduzir uma diferença entre reserva técnica e operacional óptica, para diminuir a polução visual, melhorando o uso mútuo de postes.
Solução para a Situação Problema
Diferenciação entre reserva técnica e operacional
A reserva técnica é a reserva de cabo óptica instalada para prever futuros rompimentos na rede ou a instalação de novas caixas de emenda óptica, enquanto a reserva operacional de cabos é utilizada para fazer a instalação de equipamentos ópticos outdoor (CEO e CTO, usualmente) através do procedimento de sangria e fusão direta (no caso de equipamentos na ponta do cabo). Ambas devem ser minimizadas em projetos de FTTx. Existe uma discussão entre projetistas de fibra óptica entre usar reserva técnica e realizar um lançamento de cabo óptico da caixa de emenda óptica (CEO) mais próxima para resolver o rompimento ou instalar nova CEO. Neste caso, o adequado, no ponto de vista de uso mútuo de postes e projetos de FTTx deste quem vos escreve é: adotar reserva técnicas apenas nos backbones interestaduais e municipais, onde é difícil identificar o rompimento e não é operacionalmente viável o lançamento de cabo óptico da CEO mais próxima, enquanto na cidades, onde usualmente os projetos são de FTTh, adota-se a não utilização de reservas técnicas (reservas de até 100 metros de cabos) e somente reservas operacionais (reservas de até 30 metros de cabos ópticos). Isso diminuiria bastante a quantidade de cabos no vão dos postes e, consequentemente, a poluição visual.
Não utilizar reservas operacionais na pontas de cabos ópticos.
Na arquitetura FTTh, é possível realizar a instalação de caixas de terminação óptica (CTO) sem reservas técnicas operacionais quando elas estão no final do cabo óptico ("ponta de cabo"). Para isso, a CTO deveria ser instalada no poste. Na minha opinião, esta é uma boa opção desde que não esteja voltada para rua, mas sim para passeio (ou seja na lateral do poste).
Utilização do Suporte para Reserva de Cabos Ópticos de Polímero (CSRP).
Este equipamento, na prática, pode ser visualizado na figura abaixo, na qual o CSRP foi instalado nas ruas de Goiânia, Goiás, no Setor Aeroporto, de forma correta.


Este equipamento, embora não esteja previsto na ABNT NBR 15214, é bastante leve pois é feito de polímero as chapas são montadas com parafusos PCA M10 X 35 [2]. A imagem dele, no caso do equipamento fornecido pela DPR, está ilustrado na imagem abaixo [2], com as seguintes dimensões:
Comprimento: 560 mm;
Largura: 37,7 mm;
Altura: 147 mm;
Espessura: 5 mm;

Conclusão
Neste apresentei uma configuração de reserva técnica que não está prevista na ABNT NBR 15214, porém tem grande possibilidade de ser uma solução para o problema de cabos ópticos desorganizados no vão, uma vez que a reserva com optiloop costuma se desfazer e é muito difícil de ser instalada em cordoalha dielétrica (mesmo considerando o diâmetro de 64mm).
Acredito que é uma solução que atende tanto aos provedores de internet quanto às concessionárias.
Referência
[1]. Como Fazer a Adequação de Optiloop (Fácil). https://www.youtube.com/watch?v=1EQa8PYb70M
[2]. Especificação técnica de produto. https://dpr.cl18.widedev.com.br/media/catalog/product/e/t/etp_do_conjunto_suporte_reserva_para_cabos_pticos_-_csr_-_v2-12-2021.pdf



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